Quinta-feira. Como dita a instituição, existindo "quorum", juntam-se 2 ou mais "compinchas motards" para bebericar e divagar sobre as suas aventuras e desventuras motociclísticas. Hoje éramos 3... logo havia "quorum"!
Até aqui nada de invulgar. À hora habitual, lá estávamos no local do costume para dar início a uma noite que acabaria por se revelar diferente. E diferente foi o tema de conversa, que fugindo às habituais temáticas sobre o opulento busto de fulana ou às curvilíneas nádegas de sicrana, nos rematou para a religião, família... e amizade. E talvez o motivo pelo qual nos foi tão fácil dissertar sobre esta matéria foi porque os 3 sabíamos que estávamos perante amigos.
Amigos...
Palavra que no quotidiano empregamos com tal frequência que com o tempo acabou por cair na banalidade. Mas não era este o caso. Éramos e somos 3 amigos com "A" grande.
"O que é para ti um amigo?" - perguntou ele.
Esta questão caiu-me como uma bomba. Eu sei o que é um amigo. Mas falar sobre isso... como posso eu dizer o que é um amigo? Como posso eu por meras palavras descrever um sentimento tão nobre e substancioso como a amizade? Definir amizade é como definir amor... hercúlea tarefa! Mas poderá ser então a amizade uma derivação do amor?
"É uma pessoa que eu sei que estará lá por mim se precisar e por quem eu quero estar." - respondi. Pensando agora melhor no assunto acho que deveria ter acrescentado:
"É também uma pessoa por cuja companhia procuro e que quero que me procure, porque é nessa necessidade de reciprocidade, que se define o grau da relação."
A verdade é que poderia ter respondido exactamente da mesma forma se me tivessem perguntado sobre o amor. Sim, estaria incompleto... mas não incorrecto. Teria de falar de paixão também... mas essa agora seria outra história.
"E a família... consideras como amigos?" - perguntou o outro.
A verdade é que a família não se escolhe.
"Não... mas o meu irmão sim porque não é meu irmão." - disse, explicando de seguida o porquê da afirmação e clarificando a confusão.
A verdade é que a família não se escolhe.
"Não... mas o meu irmão sim porque não é meu irmão." - disse, explicando de seguida o porquê da afirmação e clarificando a confusão.
"E quantos amigos tens?"- perguntou ele.
Ora aqui estava uma pergunta tão pertinente como traiçoeira. Se dissesse que tinha muitos estaria a desvalorizar os que considero amigos... se dissesse que tinha poucos, a verdade é que estaria a mentir. E assim que pensei nisso senti-me afortunado. Porque acreditava de facto ter mais do que a esmagadora maioria das pessoas afirma ter.
"15 talvez... cerca de 15... não sei... talvez menos... aqui pelo menos tenho a certeza que estão 2!" - retorqui. Não foi um número pensado mas foi sincero. Ambos responderam acreditar terem menos de 10...
A verdade é que eu estava perante 2 amigos de "A" grande. Eu sabia isso e eles também. Tentei em vão ocultar o quão emocionado fiquei e como tal não pude deixar de soltar uma lágrima ou duas. Mas os meus não foram os únicos olhos lacrimejantes...
PS: no final de escrever este "post" abri o notepad e escrevi o nome de todos os que considero meus amigos. São 11... afinal não estava assim tão longe!



