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sábado, 11 de outubro de 2008

Foi só outra etapa

Foram várias as pessoas que nestas últimas semanas me perguntaram porque havia parado de escrever. E nessas pessoas encontrei carinho. Encontrei expectativa e interesse em me querer conhecer melhor. Alguns de vocês sabem o porquê de eu ter parado. Se isso justifica? Não sei. Se é compreensível? Também não sei. Se aqueles mais próximos compreendem? Provavelmente não... mas sinceramente, também não estou preocupado com isso.

"Mas porque não escreves sobre isso? É assim tão complicado? Ou tens receio ou vergonha de falar sobre isso?" - perguntou ela.

"Nada disso!" - respondi eu - "Não é nada que não se saiba. É algo que tanto eu como o grupo sente. É algo que ela sente também. E é estranho. Desde então que tento escrever e não sei como. Pura e simplesmente... bloqueio!"

Desde que ela se foi embora que todos sentimos falta dela. Às vezes, enquanto estamos todos na conversa, imagino-a ali ao nosso lado. E como ela se faria notar. Como se esperasse a qualquer momento ouvir a voz dela de novo. Como se tudo isto fosse apenas um sonho.

Em tom de brincadeira expliquei-lhe que ela havia sido parte importante do grupo neste último ano. Era uma de nós. Era como um sol, um centro, uma força gravitacional que nos atraía. Era "alto astral", "boa onda" e "gente fina".

"Pois. Talvez agora percebas o quanto ela nos fez falta aqui durante um ano. Ela é uma pessoa linda demais." - disse uma das amigas dela há umas semanas atrás.

Eu sei que eles também têm igualmente saudades dela. Têm contudo formas diferentes de se exprimirem. Acho que são mais contidos... mas isso não minimiza em nada o que sentem.

"Março. Temos de ir até Março. Março o mais tardar!" - diz ele de vez em quando.

Como nos fazes falta amiga. O teu sorriso, a tua boa disposição, a tua postura na vida, as tuas histórias e piadas... os copos e os festivais.

Março. Vamos em Março...

sábado, 13 de setembro de 2008

Nuestros hermanos


A minha percepção do povo brasileiro e do Brasil tem vindo a sofrer significativas alterações. Curioso. À medida que escrevo isto apercebo-me que o mesmo se deu relativamente aos espanhóis há alguns anos atrás. E em ambos os casos pelo mesmo motivo. Porque comecei a conviver com eles... e a conhecê-los.

Fui educado pela lobotomização nacionalista e pela perversão mediática. Sou um filho do pós-revolução. Temos uma identidade cultural fortemente assente em conflitos, frustrações e insegurança... pela nossa "pequenês". Receamos a investida económica espanhola, cedemos aos acordos luso-brasileiros e tudo isto porque já não somos os portugueses de há 500 anos atrás.

Comecei a dar-me com espanhóis em Inglaterra. O que facilitou. Éramos estrangeiros em terras de Sua Majestade e isso fez com que sentisse um elo de ligação diferente. E por isso permiti-me a conhecê-los e a confraternizar com eles. Acabei por perceber que não só desconheciam este nosso "ódiozinho" por eles como ainda por cima gostavam de nós. Que figura de parvo.

Os nossos irmãos atlânticos. As minhas primeiras impressões desde sempre estiveram contaminadas. Um simples "Oi?" em vez de um "Como?" chegavam a ser suficientes para me tirar do sério. Hoje em dia, "amo" o "irado", "animal" e "surreal". Talvez tenha tido sorte por ter conhecido brasileiros "super gente fina". Uma "galera" que gosta de "ir na balada". Apetece-me ou "tou afim"? Nós dizemos e eles "falam". Tem piada... segundo ela temos também uma divergência nos plurais. Será "morro de saudade de salada de aspárago" ou "morro de saudades de uma salada de espargos"? Quem sabe...

Da mesma forma que nem todas as portuguesas têm bigode, nem todos os portugueses se chamam Manel e nem todos são padeiros... também nem todos os brasileiros são calões que se limitam a apanhar côcos suficientes para os "chops" do dia. Nem todos são criminosos de favela. Estes são estigmas e preconceitos que se foram gerando ao longo do tempo e que facilmente poderão ser quebrados...

...basta nos querermos conhecer.
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